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Eduardo Bolsonaro utilizou missão oficial para encontrar argentino que disseminou mentiras sobre as urnas do Brasil

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Crédito: Miguel Méndez

Telegrama do Itamaraty mostra que o filho de Jair Bolsonaro foi a Buenos Aires, em outubro de 2022, em viagem oficial, apesar de parecer cumprir uma agenda eleitoral. Além disso, a campanha de reeleição do deputado fez pagamentos a um funcionário do consultor argentino Fernando Cerimedo

Em meio ao disputado segundo turno das eleições de 2022, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) escondeu que foi em missão oficial a Buenos Aires, no dia 12 de outubro do ano passado, para se encontrar com Fernando Cerimedo, que se apresenta como consultor político. Menos de três semanas depois, com a derrota de Jair Bolsonaro (PL), o argentino fez um vídeo no Youtube com informações falsas sobre as urnas eletrônicas, que ajudou a inflamar o clima pós-eleitoral no Brasil. Cerimedo diz que sua atitude foi independente e que não recebeu nada por isso, mas um de seus funcionários no Brasil trabalhou para a campanha de reeleição de Eduardo Bolsonaro no mesmo período.

É o que revela a investigação “Mercenários Digitais” – que busca rastrear o negócio da desinformação na América Latina. O projeto, feito  em uma aliança entre a Agência Pública, o UOL e outros 20 veículos latino-americanos e quatro organizações especializadas em investigação digital, sob a liderança do Centro Latinoamericano de Investigação Jornalística (CLIP), detalha o papel de Fernando Cerimedo na disseminação de notícias falsas em campanhas da ultradireita no continente.

Eduardo Bolsonaro nunca informou publicamente o caráter oficial da viagem e nem quem foi encontrar no país vizinho, assim como esses dados não constam em sua prestação de contas no portal da transparência da Câmara dos Deputados. Também não foi localizado na Casa nenhum relatório da viagem feito pelo deputado após seu retorno ao Brasil. No entanto, o documento do Itamaraty obtido pela Aliança, por meio de um pedido de Acesso à Informação Pública, revela que a Casa e o próprio Ministério das Relações Exteriores do Brasil também deram apoio institucional à viagem, em meio à campanha presidencial de 2022.

Eduardo Bolsonaro foi procurado por meio de seus advogados e assessoria e não respondeu aos questionamentos

Um telegrama do Ministério das Relações Exteriores pede que a embaixada brasileira em Buenos Aires auxilie o deputado que estava em “viagem oficial”. Eduardo Bolsonaro, porém, fez vídeos para a campanha do pai, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro

 

A viagem de Eduardo Bolsonaro ao país vizinho foi comunicada em um ofício enviado em 10 de outubro do ano passado pela Secretaria de Estado das Relações Exteriores (SERE) à Embaixada do Brasil na Argentina. Classificado como “urgentíssimo”, o documento informava a missão oficial do filho do então presidente Jair Bolsonaro a Buenos Aires “para participar do evento Ciclo de Atividades para Difusão das Ideias de Liberdade”, no período de 12 a 15 de outubro.

De acordo com a SERE, a viagem havia sido informada pela Secretaria de Relações Internacionais da Câmara. Publicamente, porém, a informação sobre a “missão oficial” foi omitida. Conforme informações do Legislativo Federal, Eduardo foi para a Argentina com o objetivo “de fortalecer os laços para alcançar um crescimento econômico sustentado (sic) na Região”.

Mas não foi exatamente isso que o deputado fez no país vizinho. De acordo com as regras do Legislativo Federal, os deputados viajam em missão oficial “para o cumprimento de deveres inerentes ao mandato”, mas conforme apurou a reportagem, a agenda de Eduardo Bolsonaro na capital argentina, organizada pela equipe de Fernando Cerimedo, cumpriu objetivos estritamente eleitoreiros.

O deputado viajou para a Argentina acompanhado do correspondente do site La Derecha Diário no Brasil, Giovanni Larosa, que pertence a Cerimedo. A reportagem também identificou, na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que Larosa recebeu dinheiro da campanha de Eduardo Bolsonaro em 2022. Foi possível identificar, ao menos, R$ 3,9 mil em pagamentos.

Contrato Larosa
Cópia do contrato de serviços de Giovani Larosa para a campanha de Eduardo Bolsonaro.
Crédito: imagem Tribunal Superior Eleitoral

Foi também por meio do La Derecha Diário que Cerimedo, em 4 de novembro, após a derrota de Jair Bolsonaro, fez uma live, acompanhada por mais de 400 mil pessoas, em que divulgou um suposto dossiê com dados mentirosos sobre as eleições brasileiras. O vídeo, desmentido pelo TSE, depois de diversas auditorias nas urnas nos últimos anos, foi amplamente divulgado entre aliados do ex-presidente para levantar suspeitas sobre o resultado das eleições.

O material reforçava o discurso golpista de Jair Bolsonaro, que ao longo de todo seu mandato tentou descredibilizar o sistema eleitoral brasileiro. Em 30 de junho de 2023, o TSE tornou o ex-presidente inelegível por uso indevido dos meios de comunicação, para entre outras coisas, atacar sem provas o sistema eleitoral durante uma reunião com embaixadores realizada em julho de 2022.

Cerimedo já disse em entrevistas a veículos argentinos que trabalhou para a campanha de Jair Bolsonaro em 2018, mas afirmou durante a live que a sua ação em 2022 foi espontânea, apesar de ser esse o seu trabalho.

“Sou um herói para metade do país. Eles me chamam de argentino mais querido do Brasil”, afirmou Cerimedo orgulhosamente durante entrevista de duas horas concedida à Aliança por videochamada. O consultor político negou que tenha sido contratado pela campanha de Bolsonaro para fazer a live.

Ele disse que foi procurado por um amigo “que é um estudioso do Brasil e fanático por Bolsonaro”, que teria desconfiado de erros na contagem da votação. “Nem os militares, nem ninguém do partido entrou em contato comigo antes da live. Eu não conseguia nem falar com Eduardo”, ressaltou, mesmo que semanas antes eles estivessem juntos. Ele negou também que tenha recebido dinheiro para produzir o vídeo.

Promotor de desinformação

Disseminar fake news faz parte da atuação de Fernando Cerimedo. Para tal, o site de notícias La Derecha Diário, que integra o Madero Media Group, é um caminho, mesmo que ele negue. A investigação transnacional identificou que o consultor político utilizou na Argentina e no Chile estratégias semelhantes às usadas no Brasil.

(Link para as reportagens)

O argentino também é dono da Numen Publicidad, que se autointitula agência de marketing digital que utiliza bots e “milhares de trolls” para elaborar campanhas negativas contra seus adversários, conforme admitiu o empresário em entrevista ao La Nación.

Em seu site, a Numen informa que prestou consultoria política para 50 campanhas eleitorais na América Latina e Estados Unidos, “utilizando recursos tecnológicos exclusivos para posicionamento e comunicação de candidatos e governos, gestão e leitura da opinião pública”. O site da Numen informa ainda que a empresa possui escritórios em Buenos Aires, Santiago do Chile e São Paulo. A reportagem, porém, não identificou nenhuma empresa em nome de Cerimedo ou de seus sócios no Brasil.

Mapa Numen 1
Print da página da empresa argentina Numen no Facebook indicando escritórios em outros países. No entanto, eles não foram localizados pelo projeto “Mercenários Digitais”
Crédito: reprodução redes sociais Numen

Apesar de as mentiras publicadas no La Derecha Diário terem sido descobertas, o consultor nega que seja um produtor de fake news. “Chamar-nos de desinformadores em série por duas ou três bobagens é a única maneira que eles têm de nos atingir. Sou contra as fake news”, afirmou. “La Derecha Diário é o único dos meus veículos que faz travessuras”, ameniza.

Viagem com objetivos ocultos

O filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desembarcou na capital argentina em 12 de outubro, onde ficou até dia 15, duas semanas antes do pleito. Durante esse período, o deputado se encontrou com lideranças da extrema-direita do país, deu entrevistas para veículos locais e gravou quatro vídeos para a campanha do pai, com apoio de Fernando Cerimedo. Tudo foi registrado pelo La Derecha Diário.

As imagens gravadas em Buenos Aires mostram Eduardo Bolsonaro entrevistando pessoas nas ruas da cidade, que reclamam da inflação e mandam mensagens a favor da reeleição de Jair Bolsonaro. A estratégia era a de atingir os eleitores indecisos com o discurso de que o Brasil entraria numa crise econômica semelhante a da Argentina, país quefechou 2022 com 94,8% de inflação, se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fosse eleito. O presidente do país vizinho, Alberto Fernández, é aliado político do petista.

“Como seria no Brasil se o presidente fosse do PT? Seria semelhante a Argentina”, escreveu o deputado na legenda de um dos registros da viagem, compartilhado em seu Instagram em 27 de outubro. Outros vídeos já haviam sido compartilhados pelo parlamentar em suas redes sociais nos dias 13, 15 e 16 e também nas redes do La Derecha Diário.

Missão oficial “urgentíssima”

Como já se mencionou, a agenda do parlamentar na cidade, amplamente divulgada no La Derecha Diario, no entanto, foi estritamente eleitoreira. O portal noticiou que Eduardo se reuniu na noite do dia 13 com lideranças de direita do país “com o objetivo de consolidar os diferentes espaços da direita e conseguir apoio comum para o líder máximo da direita na região: Jair Bolsonaro”. O encontro foi organizado por Fernando Cerimedo e sua esposa, Natalia Basil, diretora do Madero Média.

Em seu último dia na Argentina, o parlamentar tomou um café da manhã privado com o deputado e atual candidato à presidência do país, Javier Milei, a deputada Victoria Villarruel e Giovani Larosa. Segundo o La Derecha Diário, “eles falaram sobre a importância da direita estar conectada a nível regional e como é vital que Bolsonaro seja reeleito”.

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Eduardo Bolsonaro encontra o deputado e atual candidato à presidência do país, Javier Milei, a deputada Victoria Villarruel e Giovani Larosacrédito: reprodución instagram Giovani Larosa

Ainda de acordo com a matéria do La Derecha Diário, foi Cerimedo quem patrocinou a ida de Eduardo ao país vizinho e o editor do portal e diretor executivo da Numen Publicidad, Ezequiel Acuña, ficou encarregado de acompanhar e coordenar a agenda do político brasileiro.  Mas em entrevista ao CLIP, ele negou: “Ninguém nos pagou nem nós pagamos nada”, disse.

Em seu currículo, Acuña diz que é especialista em marketing político digital com experiência na Argentina, Chile e Brasil.

Ele e Cerimedo aparecem em um dos vídeos publicados por Eduardo Bolsonaro em Buenos Aires a favor da campanha de seu pai. A imagem, compartilhada dia 13 de outubro nas redes do parlamentar,  mostra os três andando pelas ruas de Buenos Aires acompanhados de uma equipe de filmagem.

Na ocasião, Eduardo cumprimenta apoiadores de Jair Bolsonaro e em um dado momento abre uma geladeira vazia em um supermercado e diz: “é o que faz o socialismo”. Dois dias depois, Eduardo Bolsonaro postou outro vídeo na Argentina, em que ele aparece contando várias notas de dinheiro em um restaurante. Na legenda, escreveu: “Pagando almoço na Argentina. Se você não quer isso para o Brasil, vote Bolsonaro 22 e peça mais votos”.

Nas postagens que fez em Buenos Aires, ele marcou os perfis de Giovanni Larosa e do La Derecha Diário.

Marqueteiro “imparcial”

Os perfis do La Derecha Diario Brasil no Twitter, Instagram e Telegram foram suspensos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por disseminar mentiras sobre a segurança das eleições, após Fernando Cerimedo ter divulgado a live por meio do canal de seu site no Youtube dia 4 de novembro, tentando emplacar a tese mentirosa de que houve fraude nas urnas. O vídeo continua disponível, no entanto, na plataforma Rumble, e no canal de Cerimedo ou de outros usuários.

As informações da live intitulada “Brazil Was Stolen” foi compartilhada por políticos e influenciadores bolsonaristas para inflamar o clima pós-eleitoral no Brasil, que resultou nos ataques golpistas de 8 de janeiro.

Live Cerimedo
Cerimedo na transmissão ao vivo, intitulada “Brasil Was Stolen”. Crédito: reprodução

Nela, Cerimedo apresenta a tese mentirosa de que houve uma diferença de votos favorecendo Lula entre as urnas que teriam sido auditadas e as mais antigas, que segundo ele, não passaram pela auditoria. Todas as urnas eletrônicas usadas nas eleições de 2022 passaram por auditoria e fiscalização, conforme desmentiu a Justiça Eleitoral.

Naquele momento, o Brasil registrava dezenas de pontos de bloqueios nas estradas, iniciados após o resultado do pleito, em 31 de outubro. A fake news ajudou a manter os militantes bolsonaristas nas ruas e incentivou mais pessoas a se juntarem aos atos antidemocráticos que pediam intervenção federal, como foi o caso da dona de casa Luísa*.

Após assistir a live do consultor político argentino, ela vestiu sua camisa da seleção brasileira e foi para a beira da estrada, em Barra Velha, Santa Catarina, protestar contra o resultado das eleições.

“Não acredito em tudo que chega em meu Whatsapp, eu e meus vizinhos nos reunimos e ficamos ontem até tarde da noite analisando os dados que ele (Fernando Cerimedo) apresentou”, justificou.

Motivada pela fake news, Luísa saiu de casa com suas três filhas quando o sol ainda despontava no céu, levou cadeiras, comida e água suficientes para passar o dia no ato. Ela conversou com a reportagem em 5 de novembro, sob a condição de anonimato.

À frente das câmeras, Fernando Cerimedo disse que havia recebido as informações que embasaram as mentiras “de entidades privadas”. “É importante esclarecer que esta informação não tem nada a ver com a campanha de Bolsonaro nem do governo, essa informação chegou às nossas mãos por parte de entidades privadas”, ressaltou.

Ao conduzir a live, ele se apresentou como um sujeito imparcial, omitindo sua relação com Eduardo Bolsonaro e com a campanha do ex-presidente. Ele repetiu as mentiras propagadas no vídeo durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados convocada pelo deputado aliado do ex-presidente Eduardo Girão (Podemos), dia 30 de novembro de 2022.

Campanha de Eduardo contratou funcionário de Cerimedo

Essa aliança jornalística também encontrou pagamentos a Giovanni Larosa, que coordenou ações na campanha de reeleição de Eduardo nas cidades da zona oeste de São Paulo de 12 a 30 de setembro, segundo a Justiça Eleitoral.

Além de correspondente do La Derecha Diário Brasil, ele é apresentado em matéria do portal como assessor de Eduardo para assuntos internacionais.  Em entrevista ao CLIP, no entanto, Cerimedo nega: “Ele não foi emprestado para o La Derecha Diario e nem para o Eduardo [Bolsonaro]. É um brasileiro que viaja muito e faz vídeos, virou amigo de Eduardo e o levou para todos os lados. De nossa parte só demos diárias para que ele fizesse notas sobre a campanha”.

Em um vídeo postado por Eduardo Bolsonaro no dia 7 de outubro, Larosa  aparece acompanhando o parlamentar em uma viagem para São Paulo. Eles entram no avião presidencial da Força Aérea Brasileira, onde também estavam Jair Bolsonaro e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.

A relação da família Bolsonaro com Larosa é anterior ao período eleitoral. Em 2021, ele divulgou sua visita ao Palácio da Alvorada quando levou o típico doce argentino, alfajor, para o então presidente. No mesmo ano, Larosa cobriu pelo La Derecha Diario, o CPAC, – autointitulado o “maior evento conservador do país”. Na ocasião, ele fez uma entrevista exclusiva com Jair Bolsonaro.

Com 77,5 mil seguidores no Instagram, 26 mil no Twitter e 39 mil no Tik Tok, Larosa gravou vários vídeos com os Bolsonaro durante a campanha e reproduziu ataques a Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também ajudou a espalhar fake news e compartilhou imagens da invasão de 8 de janeiro aos prédios dos três poderes em Brasília, além de ter escrito notícias favoráveis ao ex-presidente para o La Derecha Diário ao longo de 2022.

Em 2021, Giovanni Larosa também fez parte da equipe de Cerimedo que colaborou para a campanha da argentina Patrícia Bullrich, presidente do partido de direita Proposta Republicana. A mesma equipe hoje trabalha para Javier Milei, candidato da ultradireita à presidência na Argentina e aliado político da família Bolsonaro.

Paralelamente, Cerimedo flerta com a campanha de Donald Trump. Em 22 de março, ele postou uma foto no Twittertomando café da manhã com pessoas ligadas a Trump: “Gran desayuno de trabajo esta mañana con Carlos Diaz Rosillo, principal asesor del secretario de defensa en asuntos de seguridad internacional del gobierno de @realDonaldTrump”, escreveu.

 

Mercenários digitais

Mercenários digitais é uma investigação do Chequeado (Argentina), UOL y Agência Pública (Brasil), LaBot (Chile), Colombiacheck y Cuestión Pública (Colômbia), CRHoy, Interferencia y Lado B (Costa Rica), GK (Equador), Factchequeado (EUA) Ocote (Guatemala), Contracorriente (Honduras), Animal Político y Mexicanos Contra la Corrupción y la Impunidad (México), Confidencial y República 18 (Nicarágua), Ojo Público (Peru), El Surti (Paraguai), La Diaria (Uruguai) e tres jornalistas investigativas da (Bolívia y España/Colombia); as organizações de pesquisa digital Cazadores de Fake News (Venezuela), Fundación Karisma (Colômbia), Interpreta Lab (Chile), Lab Ciudadano (Honduras) y DRFLab (EUA); alunos do curso de mestrado Using Data to Investigate Across Borders do professora Giannina Segnini (Universidade de Columbia, EUA), com a coordenação do Centro Latinoamericano de Investigación Periodística CLIP. Análise e a consultoria jurídica: El Veinte.
Com o apoio financeiro da Free Press Unlimited, o programa Redes contra el silencio (ASDI), Seattle International Foundation e Rockefeller Brothers Foundation.

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