El Clip
  • Temas
    • Lo público
      • La medicina del millón
      • Litio en conflicto
      • Negocios de familias
      • Un mundo de dolor
      • NarcoFiles: El Nuevo Orden Criminal
      • Un fondo sin fondo
      • El otro Río de la Plata
      • Diplomacia en las sombras
      • Tras los pasos de Meco
      • Viaje al centro de Odebrecht
      • Pandora Papers Latam
      • El joropo del dragón
      • Siguiendo el dinero para la COVID 19
      • Paraísos de dinero y fe
      • Centinela- Covid-19
      • Transnacionales de la fe
    • Las libertades
      • El caso Lucas Villa
      • El Proyecto Rafael
      • Las Historias Prohibidas de Rappler
      • Proyecto Miroslava
      • Migrantes de Otro Mundo
    • La dignidad humana
      • Los Bombardeados: sin derecho a la defensa
      • Tráileres, trampa para migrantes
      • El Negocio de la Represión
      • Activamente
      • Proyecto Cartel
      • Nurses for Sale
    • La desinformación
      • La mano invisible de las Big Tech
      • Los Ilusionistas
      • Mercenarios Digitales
      • Política Falaz
      • Mentiras Contagiosas
    • El ambiente
      • Taladores Digitales
      • Las ruinas del carbón
      • Litio en conflicto
      • Países Minados II
      • Lazos Amazónicos
      • Las grietas del litio
      • Países Minados
      • Carbono Opaco
      • Carbono Gris
      • Tierra de Resistentes
      • Madera sin rastro
      • Amazonía en Riesgo
  • Investigaciones
    • Taladores Digitales
    • Las ruinas del carbón
    • Los Bombardeados: sin derecho a la defensa
    • La medicina del millón
    • Arte de magia
    • Litio en conflicto
    • La mano invisible de las Big Tech
    • Países Minados II
    • Lazos Amazónicos
    • Negocios de familias
    • Un mundo de dolor
    • Inocencia en juego
    • El otro Río de la Plata
    • Las grietas del litio
    • Países Minados
    • Los Ilusionistas
    • Tráileres, trampa para migrantes
    • Carbono Opaco
    • NarcoFiles: El Nuevo Orden Criminal
    • Un fondo sin fondo
    • Mercenarios Digitales
    • El caso Lucas Villa
    • El Proyecto Rafael
    • Carbono Gris
    • Política Falaz
    • Tras los pasos de Meco
    • Viaje al centro de Odebrecht
    • Tierra de Resistentes
    • El Negocio de la Represión
    • Mentiras Contagiosas
    • Pandora Papers Latam
    • Data- Colaboraciones
    • Ver todas
  • Investigaciones de Aliados
  • Clipoteca
  • Quiénes somos
  • Newsletters
Sin resultados
Ver todos los resultados
Donar

El Clip
  • Temas
    • Lo público
      • La medicina del millón
      • Litio en conflicto
      • Negocios de familias
      • Un mundo de dolor
      • NarcoFiles: El Nuevo Orden Criminal
      • Un fondo sin fondo
      • El otro Río de la Plata
      • Diplomacia en las sombras
      • Tras los pasos de Meco
      • Viaje al centro de Odebrecht
      • Pandora Papers Latam
      • El joropo del dragón
      • Siguiendo el dinero para la COVID 19
      • Paraísos de dinero y fe
      • Centinela- Covid-19
      • Transnacionales de la fe
    • Las libertades
      • El caso Lucas Villa
      • El Proyecto Rafael
      • Las Historias Prohibidas de Rappler
      • Proyecto Miroslava
      • Migrantes de Otro Mundo
    • La dignidad humana
      • Los Bombardeados: sin derecho a la defensa
      • Tráileres, trampa para migrantes
      • El Negocio de la Represión
      • Activamente
      • Proyecto Cartel
      • Nurses for Sale
    • La desinformación
      • La mano invisible de las Big Tech
      • Los Ilusionistas
      • Mercenarios Digitales
      • Política Falaz
      • Mentiras Contagiosas
    • El ambiente
      • Taladores Digitales
      • Las ruinas del carbón
      • Litio en conflicto
      • Países Minados II
      • Lazos Amazónicos
      • Las grietas del litio
      • Países Minados
      • Carbono Opaco
      • Carbono Gris
      • Tierra de Resistentes
      • Madera sin rastro
      • Amazonía en Riesgo
  • Investigaciones
    • Taladores Digitales
    • Las ruinas del carbón
    • Los Bombardeados: sin derecho a la defensa
    • La medicina del millón
    • Arte de magia
    • Litio en conflicto
    • La mano invisible de las Big Tech
    • Países Minados II
    • Lazos Amazónicos
    • Negocios de familias
    • Un mundo de dolor
    • Inocencia en juego
    • El otro Río de la Plata
    • Las grietas del litio
    • Países Minados
    • Los Ilusionistas
    • Tráileres, trampa para migrantes
    • Carbono Opaco
    • NarcoFiles: El Nuevo Orden Criminal
    • Un fondo sin fondo
    • Mercenarios Digitales
    • El caso Lucas Villa
    • El Proyecto Rafael
    • Carbono Gris
    • Política Falaz
    • Tras los pasos de Meco
    • Viaje al centro de Odebrecht
    • Tierra de Resistentes
    • El Negocio de la Represión
    • Mentiras Contagiosas
    • Pandora Papers Latam
    • Data- Colaboraciones
    • Ver todas
  • Investigaciones de Aliados
  • Clipoteca
  • Quiénes somos
  • Newsletters
Sin resultados
Ver todos los resultados
Donar
El Clip
Sin resultados
Ver todos los resultados
ES | PT

Duas forças digitais contra os camponeses que rejeitam a mina de Jericó

Colombiacheckportada

Ilustración: Colombiacheck.

Usuários dentro e fora do município antioqueño que impulsionam nas redes sociais o projeto minerário da AngloGold Ashanti respaldaram o assédio judicial aos camponeses opositores por meio de campanhas de descrédito e estigmatização.

Por: Alexander Campos Sandoval, María José Echeverry e Leidy Stephany Arenas Díaz

Na turbulência de um protesto, dois irmãos sacam seus facões. Ameaçam-se um ao outro. Só a intervenção do pai impede que a discussão escale para tragédia.

O motivo é um profundo desentendimento: um defende os vizinhos que permitem à Minera de Cobre Quebradona realizar trabalhos de exploração na vereda. O outro integra a resistência da comunidade que exige a paralisação de toda atividade na região, enquanto o projeto não tiver licença ambiental.

Porfirio Garcés recorda a cena na entrada de sua casa no corregimiento de Palocabildo. Ela retrata a divisão da cidadania de Jericó, Antioquia, município colombiano de menos de 15.000 habitantes. Como ali nasceu a madre Laura Montoya, única colombiana canonizada pela Igreja Católica, milhares de fiéis o transformaram em destino turístico.

Picture (22)
Zona montanhosa de Jericó, vista da cidade. Foto: Leidy Stephany Arenas Díaz

A raiz da discórdia não é visível; está oculta sob as montanhas do sudoeste antioqueño, plantadas de café pelos agricultores jericoanos nas veredas Quebradona, Palocabildo, Vallecitos, La Soledad, La Hermosa e Cauca. Ainda assim, o tesouro ainda enterrado já é um sonho, uma ambição, uma promessa apresentada pela multinacional AngloGold Ashanti desde os relatórios de 2020 para seus acionistas: 2,9 bilhões de libras de cobre, 1,4 milhões de onças de ouro e 21,6 milhões de onças de prata.

O custo ambiental de alcançar tais riquezas é o de permitir que, com perfuratrizes, explosivos e maquinário pesado, se abram túneis subterrâneos e se substitua o topo da montanha por um cratera tão profunda que poderia engolir quase duas vezes um edifício de 50 andares, e tão larga que poderia abarcar os principais estádios da Colômbia — o Atanasio Girardot, o Pascual Guerrero, o Metropolitano de Barranquilla e o Campín — um ao lado do outro, e ainda sobraria espaço.

Segundo o Observatório de Conflitos Ambientais da Universidade Nacional, a área de influência do projeto é habitat de 329 espécies de fauna e 676 espécies de flora, além de abrigar um aquífero cuja intervenção impactaria o fluxo de ao menos três riachos: La Mica, La Virgen e Yarumala.

Quem aprova o projeto apesar dos custos para o território vê na mina o horizonte de um bem maior: desenvolvimento econômico e empregos. Em março deste ano, ainda sem ter iniciado a exploração da mina, a Quebradona já gerava emprego direto para cerca de 105 habitantes do município.

Ambos os relatos — o da conservação ambiental e o do desenvolvimento econômico — dialogam de forma incessante por todo Jericó. Em manifestações, em faixas penduradas nas janelas, em conversas informais de transeuntes, em propostas de candidatos a cargos eletivos e, claro, nos jornais locais que se encontram impressos nos estabelecimentos públicos. “Aldea de Piedras”, o veículo da mineradora, e “Despierta Jericó”, o da Mesa Ambiental que lidera a oposição ao projeto.

Picture (23)
Paisagem do mirante da vereda La Soledad, em Jericó. Foto: Leidy Stephany Arenas Díaz

No entanto, a disputa dessas mensagens não se limita ao território do município, como constatou o Colombiacheck, aliado de uma investigação colaborativa liderada pelo Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (CLIP) que, junto com outros seis veículos da região e com o apoio da Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança Climática, vem investigando quem está por trás dos ataques contra defensores do território e do meio ambiente na Guatemala, México, Honduras, Colômbia, Brasil e Panamá.

Em fevereiro de 2024, uma investigação do El Armadillo identificou um portal de notícias e pelo menos 30 perfis no X, criados entre outubro de 2022 e dezembro de 2023, que se dedicavam de forma quase exclusiva a amplificar em todo o país o discurso institucional da Quebradona. Usavam etiquetas que a AngloGold Ashanti buscava posicionar a partir de sua conta oficial (@AGAColombia): #TodosCabemos e #MineríaConPropósito.

Dentro dessa mensagem institucional, os protestos dos opositores ao projeto Quebradona são sistematicamente classificados como “atos de vandalismo”, “retenções ilegais” ou mesmo apontados como constitutivos de crimes.

Tal postura ultrapassava o âmbito midiático, pois como já reportava a Mesa Ambiental em 2020, desde então a AngloGold Ashanti moveu ações penais contra os camponeses que exerciam fiscalização sobre as atividades de exploração, e em 2024 a própria multinacional reportou a existência de uma queixa que apresentou posteriormente.

Em meados de 2025, a mineradora informou sua atuação na denúncia criminal contra 11 camponeses acusados de sequestro simples, lesões corporais e furto qualificado. Segundo seu comunicado, a empresa cumpriu com o “dever cidadão de denunciar às autoridades os fatos de que se tenha conhecimento e que possam ou não constituir um crime”.

Porfirio Garcés é um dos camponeses imputados no processo judicial, cuja audiência de acusação está programada para o próximo mês de agosto. Com alguma graça, se autodenomina “o avô dos 11”:

“Aos meus 87 anos, judicializado pela primeira vez por defender esta região. Mas por que a defendo? Porque a amo, porque a quero, porque nasci aqui. Porque foi o meu berço, e porque é uma região que merece ser amada, pois é muito saudável, com gente humilde, mas bondosa.”

A Defensoria do Povo rejeitou em maio de 2025 a judicialização desses manifestantes, que contraria o Artigo 9 do Acordo de Escazú assinado pela Colômbia em 2019, pelo qual se promove que o Estado garanta aos defensores ambientais “um ambiente seguro e propício” no qual possam “atuar sem ameaças, restrições e insegurança”.

A Minera de Cobre Quebradona insistiu, em resposta a esta aliança jornalística, que as denúncias foram apresentadas diante de evidências de “vias de fato e condutas ilegais”. Segundo a empresa, os episódios de protesto resultaram em “atos violentos contra pessoas, ferramentas de trabalho e veículos”. Por fim, a empresa sublinhou mais uma vez que é seu “dever constitucional e legal informar às autoridades sobre fatos que poderiam constituir infrações à lei”, e que será o Ministério Público quem determinará se houve condutas puníveis.

Picture (24)
Cerro El Salvador, que abriga o monumento Cristo Rei, visto da cidade. Foto: Leidy Stephany Arenas Díaz

Processo e rede

Entre maio de 2022 e dezembro de 2023, camponeses das veredas de Jericó realizaram numerosas manifestações que impediram o pessoal da Minera de Cobre Quebradona de avançar com os estudos de exploração no território. A Mesa Ambiental e seus integrantes sempre sustentaram que se tratou de protestos pacíficos, enquanto os simpatizantes do projeto rejeitam as vias de fato e apontam prejuízos contra a empresa e contra a própria comunidade.

Lina María Velásquez, comunicadora vinculada à organização, reportou em julho de 2024 que estavam em curso duas queixas apresentadas pela empresa. A primeira, contra 46 pessoas que participaram de um protesto (plantón) entre o final de 2022 e o início de 2023. A segunda, contra 57 pessoas que entraram em uma propriedade da vereda La Soledad para desmontar maquinário com que a empresa buscava estudar o nível da água na área.

Com base nesses últimos fatos, o Ministério Público convocou em 13 de maio de 2025 uma audiência de imputação de cargos contra 11 dos camponeses manifestantes, que a partir de 16 de junho de 2025 estão cobertos por medida cautelar não privativa de liberdade. Alguns deles prestam testemunho a seguir:

Todos os processos continuam em curso após seis audiências derivadas das queixas, às vésperas da audiência de judicialização do processo penal, programada de 3 a 6 do próximo mês de agosto.

Além disso, em 28 de maio último, um novo grupo de manifestantes recebeu convocatórias perante a Inspeção de Polícia de Jericó, que a partir de uma denúncia anônima convocou audiências individuais desde 1º de junho para determinar se os indicados incorreram em “irregularidades urbanísticas no município”.

Com os antecedentes documentados pelo El Armadillo, o Colombiacheck quis voltar a investigar a atividade das contas propagandísticas no X que até o início de 2024 se dedicavam a disseminar um relato de bem-estar e desenvolvimento favorável ao projeto da mineradora Quebradona. Revisamos 15 meses de interações, entre janeiro de 2025 e abril de 2026, coincidindo com o desenvolvimento das ações judiciais contra os chamados “11 de Jericó”.

Constatamos que um grande número das contas apontadas anteriormente continua ativo. De fato, a rede se expandiu para um total de 37 usuários, dos quais 34 têm como seguidor a conta oficial da AngloGold Ashanti na Colômbia. As publicações desses perfis replicam peças gráficas da empresa e usam etiquetas como #MineríaResponsable, #todoscabemos e #Cobreparalavida, entre outras.

Não encontramos evidências de uso de bots e, portanto, decidimos investigar a identidade dos perfis, encontrando dois padrões:

  • Em sua maioria, trata-se de mulheres e jovens que realmente habitam nas veredas de Jericó, como Vallecitos ou La Hermosa, e foram beneficiárias de projetos de investimento social da empresa mineradora.
  • Vários foram funcionários da Quebradona, tiveram algum familiar empregado no projeto, ou calcularam que sua economia poderia eventualmente se alinhar com a operação da mina.

Esses interesses não são transparecidos em nenhuma seção dos perfis. Vários deles prestam testemunho repetidas vezes nos diferentes canais da Quebradona, exaltando as virtudes do investimento social que receberam.

A AngloGold Ashanti negou categoricamente a esta aliança ter financiado ou coordenado campanhas digitais. A empresa assegurou por escrito que “em nenhum momento incide ou pressiona atores externos para que publiquem conteúdo sobre o projeto”. Também afirmou respeitar “a absoluta autonomia de qualquer cidadão para emitir suas próprias opiniões nas redes sociais, das quais a empresa não é responsável”.

No entanto, a defesa que várias dessas pessoas fazem do projeto minerário não se limita às redes. Oito delas enviaram observações escritas ao Ministério do Ambiente, aproveitando a fase de consulta pública de outro projeto para criar no Sudoeste Antioqueño uma Zona de Reserva Ambiental Temporária, cuja vigência impediria o outorgamento de novas concessões minerárias nessa área. As remetentes alegaram falta de socialização prévia da medida, questionaram a clareza normativa e advertiram sobre possíveis impactos econômicos negativos que a restrição traria para o turismo, o investimento e o emprego juvenil em Jericó.

A rejeição da mineradora contra a medida também foi comunicada por meio de uma carta, assinada por quatro dos funcionários mencionados, em que se pediu expressamente “não emitir uma resolução como a proposta, mas sim realizar os estudos técnicos antes de declarar qualquer área como protegida ou, alternativamente, estabelecer na regulamentação um regime de transição que permita respeitar o desenvolvimento das atividades minerárias preexistentes na área que contem com todas as licenças e autorizações aplicáveis à etapa em que se encontrem”.

Os mesmos quatro funcionários assinaram também uma carta com data de 14 de janeiro de 2023, dirigida ao presidente Gustavo Petro, na qual solicitavam ser reconhecidos como uma comunidade e poder dialogar sobre a continuidade do projeto Quebradona.

Entre os signatários de ambas as cartas figura José María Dávila Román, especialista em comunicações da mineradora e um dos membros mais ativos dessa rede digital promotora da Quebradona. Sua filosofia é que nas redes sociais um funcionário da empresa pode opinar “como funcionário e jericoano”. Não especifica seu cargo na biografia do X, nem no blog ali vinculado, assim como também não o fazia no Al Día Suroeste, portal afim ao projeto da AngloGold em que figurava como “Diretor de meios escritos”.

Picture (25)Consultado para esta investigação, Dávila confirmou seu vínculo direto com a empresa: “eu trabalho nas comunicações da Quebradona (…) dentro das minhas funções no projeto está compartilhar o que fazemos com a comunidade por meio dos veículos (…) Eu acredito neste projeto; acredito que pode sim ser uma boa oportunidade. Não só para Jericó, mas para o país.”

As mensagens de seu perfil foram difundidas por 15 das 37 contas mencionadas, que além disso replicam ativamente o conteúdo do perfil oficial da AngloGold Ashanti na Colômbia. Além desses dois grandes vetores da narrativa minerária, esse primeiro conjunto difundiu as mensagens de um segundo grupo: uma tropa de tuíteiros, influencers ou personagens das redes sociais, públicos e anônimos, que amplificam entre seus milhares de seguidores o relato da multinacional.

Ao contrário do primeiro conjunto de contas, que geralmente tenta se apresentar como diplomático e conciliador, este segundo grupo aparece em conjunturas delicadas e maneja um discurso profundamente hostil e polarizante contra quem quer deter o projeto minerário. A visualização a seguir permite ver o comportamento entre as contas e os dados de difusão que os agentes externos alcançaram.

Como se vê, Pablo Pinto Brun, chefe de comunicações da Quebradona e também signatário das duas cartas a entidades governamentais, difunde igualmente as mensagens de influencers com milhares de seguidores e as de pequenas contas de habitantes de Jericó. No meio do processo de judicialização dos 11 camponeses, apareceu em uma foto com as pessoas que estão por trás de ambos os grupos.

#AparecieronLasLlaves
En #Jericó, @PintoBrun comunicador de Minera de Cobre #Quebradona acompañado de @Danielbricen que amaneció hablando de los “falsos ambientalistas” de #Jericó y de @dona_pily2 @ANIABELLO_R @julipalacioc que han estigmatizado al campesinado defensor del AGUA pic.twitter.com/2JxPWlrsyB

— Lina María Velásquez (@Linavelasqueze) June 3, 2025

Assim, trabalhadores, beneficiários e interessados no projeto minerário somam um total de 50 perfis no X; isso, somando aos influencers mencionados e a três contas que representam grupos organizados afins à Quebradona: Jericó es desarrollo, Jericoanos con Visión e Veeduría recursos naturales en Jericó.

Pinto Brun aparece ao lado de José María Dávila como oponente em um processo de tutela que exigia os direitos à participação ambiental e à consulta prévia. Consultado, Dávila afirmou que participou do processo como coadjuvante a pedido de um professor universitário, com base no fato de que o Ministério do Interior havia certificado ausência de comunidades indígenas na área do litígio. “Quando há comunidades indígenas, deve sim haver um processo de consulta prévia”, sentenciou.

Pablo Pinto Brun recebeu um questionário relativo a seus assuntos, e esta foi sua resposta: “é importante precisar que meu papel não corresponde ao de porta-voz da empresa, nem estou habilitado para emitir declarações individuais em representação dela. Por essa razão, e a fim de evitar interpretações parciais ou respostas fragmentadas sobre assuntos de caráter estritamente corporativo, encaminha-se uma única resposta consolidada que reflete a posição oficial da organização sobre os temas consultados.”

Como se vê, ambos desempenham um papel relevante dentro desse aparato de propaganda que, a partir de agora, chamaremos de a rede, cuja definição e funcionamento se explica na nota metodológica ao final do artigo.

Ruas de Jericó. Fotos: Leidy Stephany Arenas Díaz

Eco digital contra os 11

Por meio da ferramenta de monitoramento Meltwater, obtivemos uma base de dados com 16.959 publicações no X, provenientes das contas mencionadas, emitidas entre janeiro de 2025 e abril de 2026. O gráfico a seguir mostra os picos de interação das contas no período analisado — ou seja, quando fizeram uma publicação ou a replicaram, citaram ou responderam.

Vários dos picos mais altos correspondem a conjunturas críticas para o município ou para a empresa. Por exemplo, em 3 de dezembro de 2025, um dia após a decisão da Agência Nacional de Mineração de negar a prorrogação ao título minerário do projeto Quebradona. Por sua vez, o registro mais alto de 2026 coincide com a visita da candidata presidencial Paloma Valencia a Jericó; as publicações dessa data combinam o apoio à sua candidatura com mensagens que solicitam respaldo ao projeto Quebradona, usando a etiqueta institucional #todoscabemos.

Encontramos picos inteiramente dedicados a instalar contra os manifestantes narrativas estigmatizantes — entre elas, que não respeitam as autoridades, que servem a interesses ocultos, ou que são delinquentes e até guerrilheiros.

Em 27 de março de 2025, houve um novo protesto (plantón) de camponeses que impediram funcionários da mineradora de continuar com seus trabalhos de exploração. É nessa data que se vê a maior atividade de contas no período avaliado, pois a AngloGold publicou no X denunciando a “retenção” de seus trabalhadores.

A mensagem foi difundida por veículos de comunicação como Blu e Caracol Radio, em cujas publicações várias mulheres da rede comentaram com mensagens que repetiam o termo “vias de fato”. Seus comentários asseguravam que a empresa mineradora promove o “desenvolvimento honesto” e apontavam que o protesto provinha de uma minoria que não representa o campesinato jericoano.

Nessa conjuntura apareceram várias das tuíteiras mencionadas como parte do segundo grupo. Primeiro, a advogada e ex-candidata ao Senado pelo partido Centro Democrático Ana María “Ani” Abello (@ANIABELLO_R), atual promotora do movimento ‘Tigresas’ que apoia a candidatura presidencial de Abelardo De la Espriella. Em sua mensagem, sugeriu que o protesto (plantón) dos manifestantes era ilegal.

Por sua vez, a usuária Pilar Rodríguez, “Doña Pily” (@dona_pily2), diretamente classificou os manifestantes como “ativistas pagos violentos” e “sequestradores”. Vale recordar que ela e “Ani” Abello foram reconhecidas participantes da chamada “bodeguita uribista” que difundiu desinformação favorável ao governo de Iván Duque.

Consultada para esta reportagem, Rodríguez assegurou que viaja muito a Jericó e justificou suas afirmações apontando que, durante uma de suas visitas, tomou conhecimento da “tomada” de uma fazenda e da subtração de equipamentos: “esse senhor não pôde sair de sua casa por quanto tempo. Os tinham sequestrados em sua casa, isso é verdade (…) a palavra soa horrível, mas então, como se chama uma pessoa que não pode sair de sua casa?”

No entanto, Rodríguez matizou o relato dessas condutas apontando: “eu não acho que sejam pessoas más. Acho que podem ser manipuladas.” Por fim, assegurou que entre os habitantes que apoiam o projeto, há quem diga: “eles eram boas pessoas e de repente foram para o lado escuro.”

Picture (29)
Casinha do mirante na vereda La Soledad, Jericó. Fotos: Leidy Stephany Arenas Díaz

O apontamento que tilda os manifestantes como criminosos se sustentou no período destacado no gráfico, com afirmações que classificaram os camponeses como delinquentes antes que existisse sentença condenatória, em aparente contradição com o princípio de presunção de inocência dos 11 camponeses levados a julgamento.

O período em questão abrange o intervalo desde o desenvolvimento da audiência de imputação de cargos até a decisão do juiz sobre a medida cautelar. Este último negou o pedido do Ministério Público, que pretendia que os acusados fossem privados de liberdade durante o processo judicial.

Nas 1.715 mensagens analisadas nesse período, predominam três narrativas principais. A primeira, que os manifestantes são “falsos ambientalistas” que têm chefes, estão pagos, têm interesses secretos ou se deixaram instrumentalizar pelos “autores intelectuais” dos crimes que lhes imputam. Segundo Claudia Serna, advogada dos onze, o Ministério Público utilizou o mesmo termo durante uma das audiências.

A segunda, difundida pela própria AngloGold e rejeitada pela Defensoria do Povo, é que a demanda não tem relação com a defesa do território, mas com fatos delituosos alheios ao protesto social.

A terceira consiste em enfatizar que a demanda foi apresentada por 50 pessoas contra os 11 manifestantes, insistindo que o protesto provém de uma minoria (1, 2, 3).

Instalar essas narrativas foi a principal tarefa do grupo de habitantes de Jericó, especialmente por meio da sabotagem da campanha #EstoyConLos11DeJericó promovida pela Mesa Ambiental. As mensagens provenientes dessas contas escreviam “Yo no #EstoyConLos11DeJericó” para introduzir na conversa dessa etiqueta os supostos crimes e condutas reprováveis dos camponeses.

Picture (30)Para Luisa Fernanda Pedraza, pesquisadora do Censat Aguaviva, a operação “tem um componente de gênero, expresso em mostrar as mulheres do grupo como as pessoas sensatas e abertas ao diálogo, enquanto se aponta os onze homens como agressivos e contrários ao desenvolvimento”.

Enquanto isso, os tuíteiros externos ao território agudizaram os apontamentos contra os manifestantes judicializados e mencionaram supostos crimes quando mal havia iniciado o processo judicial.

As principais expoentes dessas acusações foram, precisamente, as usuárias Ani Abello, Doña Pily e Juliana Palacio (@julipalacioc), que lideraram o grupo de contas que classificou os 11 como “guerrilheiros”, “bandidos”, “desordeiros” ou delinquentes.

As três viajaram juntas a Jericó entre os dias 19 e 20 de maio junto ao então vereador de Bogotá pelo Centro Democrático e agora representante eleito à Câmara Daniel Briceño, que aprofundou o apontamento de supostos “falsos ambientalistas”. Em seu vídeo é possível ver que foram atendidos nos escritórios da Minera Quebradona e, finalmente, se reuniram com mulheres que fazem parte da rede.

Consultado para esta reportagem, Briceño confirmou que visitou o projeto a convite da AngloGold Ashanti e, assim como Pilar Rodríguez, assegurou conhecer Pablo Pinto de longa data; em seu caso, “do mundo do corrida”. Sobre suas publicações, defendeu o uso do termo “falso ambientalismo”, assegurando que não o cunhou ele, mas que o ouviu “em alguma conferência”. Apontou que se trata de uma crítica política e que em nenhum momento classificou os camponeses judicializados como guerrilheiros ou delinquentes: “procuro, até que a Justiça não se pronuncie sobre esse tipo de coisa, não me pronunciar”, esclareceu.

Não está claro por que as figuras das redes sociais, alheias ao território e ao projeto, se interessam em ir e opinar a respeito durante as conjunturas. Segundo disse Dávila, o comunicador da mineradora, aos colegas do El Armadillo, da Quebradona eles “socializaram o projeto para que conheçam em primeira mão nossas atividades”. A propósito, Daniel Briceño nos assegurou: “esse projeto me interessa muito. Me parece que é um projeto importantíssimo e que a Colômbia deveria tê-lo.”

O dia de maior interação no período analisado foi 23 de maio de 2025, um dia após o ativista ambiental menor de idade Francisco Vera publicar um vídeo unindo-se à campanha #EstoyConLos11deJericó. Em resposta, a usuária Juliana Palacio e outras contas afins direcionaram mensagens estigmatizantes contra ele. Várias mulheres da rede participaram da conversa defendendo a tuíteira e desautorizando o jovem.

Consultada para esta investigação, a mãe do menor afirmou que os ataques da usuária contra o jovem são recorrentes: “A senhora em questão aponta Francisco há algum tempo, ou o vincula a atores armados, o que é uma das razões pelas quais Francisco se encontra exilado”, expressou. Um documento de acompanhamento fornecido pela família evidencia como essas mensagens, iniciadas em 2020, atacam o jovem e são amplificadas por outros usuários do X.

Por fim, no dia da audiência em que o juiz decidiu deixar os acusados enfrentar o processo em liberdade, a rede ativou uma nova etiqueta: #50VítimasDeJericó. A etiqueta buscava inverter a narrativa de vitimização. Já não eram os 11 camponeses imputados em um processo judicial, mas as supostas vítimas de seus protestos quem merecia atenção.

Após esse período, a rede se concentrou na rejeição a determinações governamentais que frearam o projeto da mineradora ao promover outros usos para o território, como a declaração da Zona de Reserva Temporária em meados de junho. Da mesma forma, se pronunciaram de forma coordenada contra a designação de uma Área de Proteção Agrícola em novembro, que restringe o uso do solo à produção de alimentos ou ecoturismo.

Picture (31)
Plantações agrícolas em zona rural de Jericó. Fotos: Leidy Stephany Arenas Díaz

As menções mais recentes aos 11 de Jericó datam do mês de fevereiro passado e se relacionam a atos de proselitismo próprios da temporada eleitoral, como a campanha ao Congresso do Pacto Histórico encabeçada pelo candidato León Freddy Muñoz. Com as características aqui expostas, é provável que os ataques contra os manifestantes se ativem novamente conforme se aproxime a audiência de acusação.

Antes da publicação desta reportagem, esta aliança enviou um questionário a Ana María Abello para conhecer sua postura diante dos fatos relatados. Ao fechamento desta edição, não havia sido recebida resposta. Tentamos também contatar Juliana Palacio, mas não foi possível.

Nota metodológica:

A seleção e análise das contas no X (antes Twitter) mencionadas nesta reportagem partiu dos achados de uma investigação prévia do veículo El Armadillo, que identificou em fevereiro de 2024 um grupo inicial de aproximadamente 30 perfis dedicados a amplificar o discurso institucional do projeto minerário Quebradona. Rastreamos a evolução dessa rede analisando 15 meses de interações, no período compreendido entre janeiro de 2025 e abril de 2026, quando se desenvolveu o processo judicial contra os “11 de Jericó”. Durante esse processo identificamos que a rede se expandiu para 37 perfis ativos. Essa seleção não foi arbitrária, mas respondeu a dois critérios documentados na análise de rede: a replicação ativa do conteúdo emitido pelo perfil oficial da mineradora e seus porta-vozes, e a participação coordenada nas conjunturas de discussão pública sobre o território. Após descartar o uso de contas automatizadas (bots) e verificar a identidade dos usuários, utilizamos a ferramenta de inteligência de mídia Meltwater para extrair uma base de dados com 16.959 publicações emitidas por essas 37 contas no período indicado, o que permitiu traçar seus picos de interação e documentar as narrativas de estigmatização contra os camponeses judicializados.

Devastadores Digitais

Devastadores Digitais é uma investigação que busca desvendar quais interesses estão por trás das campanhas de descredibilização no espaço digital contra ativistas ambientais em seis países latino-americanos, coordenada pelo Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (CLIP), em parceria com AFP (Brasil), Colombiacheck (Colômbia), Agência Ocote (Guatemala), Contracorriente (Honduras), Animal Político e Mongabay LATAM (México) e Concolón (Panamá). Com o apoio da “Global Initiative for Information Integrity on Climate Change” e a revisão jurídica da El Veinte.

 

Relacionadas

CLIP_TD_ilus05_Panama01_op2
junio 15, 2026

Cómo opera la ofensiva digital contra quienes cuestionan la reactivación de una polémica mina de cobre en Panamá

signal-2026-06-11-112046?a.?m.
junio 15, 2026

Insultos, amenazas y deepfakes: así viven las defensoras ambientales bajo hostigamiento digital

CLIP_TD_ilus04_MexicoYucatan (1)
junio 12, 2026

Crecen ataques digitales y criminalización contra quienes denuncian daños ambientales y pérdida de selva en Yucatán

¿En qué quedaron nuestras historias?

CLIP_TD_ilus05_Panama01_op2
junio 15, 2026

Cómo opera la ofensiva digital contra quienes cuestionan la reactivación de una polémica mina de cobre en Panamá

signal-2026-06-11-112046?a.?m.
junio 15, 2026

Insultos, amenazas y deepfakes: así viven las defensoras ambientales bajo hostigamiento digital

CLIP_TD_ilus04_MexicoYucatan (1)
junio 12, 2026

Crecen ataques digitales y criminalización contra quienes denuncian daños ambientales y pérdida de selva en Yucatán

  • Investigaciones
  • Quiénes somos
  • Nos faltas tú
  • Contáctenos

© 2024 Centro Latinoamericano de Investigación Periodística. Todos los derechos reservados.

Política de uso de datos de CLIP Políticas de cookies

Sin resultados
Ver todos los resultados
  • Inicio
  • Temas
    • Lo público
    • Las libertades
    • La dignidad humana
    • La desinformación
    • El ambiente
  • Investigaciones
    • Taladores Digitales
    • Las ruinas del carbón
    • Los Bombardeados: sin derecho a la defensa
    • La medicina del millón
    • Arte de magia
    • Litio en conflicto
    • La mano invisible de las big tech
    • Países Minados II
    • Lazos Amazónicos
    • Negocios de familias
    • Un mundo de dolor
    • Inocencia en juego
    • El otro Río de la Plata
    • Las grietas del litio
    • Los Ilusionistas
    • Tráileres, trampa para migrantes
    • Carbono Opaco
    • NarcoFiles: El Nuevo Orden Criminal
    • Un fondo sin fondo
    • Mercenarios Digitales
    • El caso Lucas Villa
    • El Proyecto Rafael
    • Carbono Gris
    • Política Falaz
    • Tras los pasos de Meco
    • Viaje al centro de Odebrecht
    • Tierra de Resistentes
    • El Negocio de la Represión
    • Mentiras Contagiosas
    • Pandora Papers Latam
    • Amazonía en Riesgo
    • Data- Colaboraciones
  • Investigaciones de Aliados
  • Clipoteca
  • Quiénes somos
  • Newsletters
  • Contáctenos

© 2024 Centro Latinoamericano de Investigación Periodística. Todos los derechos reservados.

Política de uso de datos de CLIP Políticas de cookies